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Giordano Cabral

Linha de pesquisa · 2011–

Como gerar ideias, prototipar rápido e avaliar um instrumento musical digital — inclusive para tradições fora do eixo Europa–América do Norte?

Um instrumento musical digital separa o gesto de controle da produção do som e os liga por mapeamento digital. O espaço de projeto é grande, prototipar custa caro, e a maior parte dos instrumentos é feita para a música experimental europeia e norte-americana. A linha trata desses problemas com método, kit de prototipação e instrumentos feitos com músicos do Nordeste. É a linha do trabalho mais citado do currículo e das duas patentes.

Bancada vista de cima: caixa de MDF com quatro botões e pedal de pé, cabo, carretel de solda, placa de ensaio, paquímetro e uma folha com uma onda desenhada; um botão vermelho.

01 · Instrumentos musicais digitais e o MusTIC

O grupo

O MusTIC — Música, Tecnologia, Interatividade e Criatividade — nasceu no CIn em meados de 2011. Giordano Cabral coordenou o grupo na UFRPE de agosto de 2011 a agosto de 2014 e depois no CIn, com Geber Ramalho e Filipe Calegário. O projeto CNPq Universal "Música, Tecnologia, Interatividade e Criatividade" (2013–2016), sob responsabilidade de Cabral, tinha por objetivo um método de criação de instrumentos musicais digitais, seis instrumentos e uma ferramenta de prototipação; envolveu dois graduandos, quatro mestrandos e quatro doutorandos. O grupo se descreveu em artigo próprio no SBCM 2019 — cinco eixos, 21 projetos, 42 pesquisadores (doi.org/10.5753/sbcm.2019.10441) — e consta da lista oficial de grupos de pesquisa do CIn. Página: mustic.cin.ufpe.br.

02 · Instrumentos musicais digitais e o MusTIC

Contribuições

Avaliação de instrumentos pela visão do intérprete · 2011

Towards an evaluation methodology for digital musical instruments considering performer's view (XIII SBCM 2011), com Jerônimo Barbosa, Filipe Calegário, Veronica Teichrieb, Geber Ramalho e outros: um estudo de caso de como avaliar um instrumento novo do ponto de vista de quem toca. PDF nos anais.

Sketchument · 2013

Ambiente para que usuários sem formação técnica prototipem instrumentos digitais, com vários modos de entrada e integração a outras tecnologias — e desenvolvido pela mesma filosofia que propõe: do protótipo de papel ao funcional, passando por vídeos, questionários e entrevistas. Deriva da dissertação de Filipe Calegário (2013), coorientada por Cabral. Sketchument: Empowering users to build DMIs through prototyping, com Calegário, Barbosa, Ramalho e Gabriel Finch, Organised Sound 18(3), 2013 (doi.org/10.1017/S1355771813000290). Primeiro artigo do grupo em periódico.

Sketchument rodando em iPad
Sketchument rodando em iPad

Illusio · 2013

Instrumento de multitoque aumentado por um dispositivo semelhante a um pedal de guitarra: o músico desenha, associa os traços a loops ao vivo e os organiza numa árvore musical — o hierarchical live looping, em que a operação sobre um nó afeta todos os filhos. Avaliado pelas duas partes interessadas, intérprete e público. A Drawing-Based Digital Music Instrument, com Barbosa, Calegário, Teichrieb e Ramalho, NIME 2013, Coreia do Sul (zenodo.1178565); versão em português no SBCM 2013 (PDF nos anais). Colaboração MusTIC × Voxar.

Interface multitoque do Illusio
Interface multitoque do Illusio

Desafios de projeto · 2014

Challenges in Designing New Interfaces for Musical Expression, com Rodrigo Medeiros, Calegário e Ramalho (HCI International 2014, Creta; LNCS 8518, p. 643–652; doi.org/10.1007/978-3-319-07668-3_62): virtuosidade, elementos culturais, contexto de uso, critérios de sucesso e estratégia de adoção como problemas próprios desses artefatos.

Batebit · 2015

Um ano de projeto por ciclos de inspiração, ideação e implementação com músicos do Nordeste, que resultou em dois instrumentos. Designing DMIs for Popular Music in the Brazilian Northeast: Lessons Learned, com Barbosa, Calegário, João Tragtenberg, Ramalho e Marcelo Wanderley (McGill), NIME 2015, Baton Rouge (zenodo.1179007). É a origem metodológica do TumTá e do Pisada.

Método e toolkit de prototipação · 2017

Um método para gerar ideias de instrumentos e um kit físico cujos blocos são inspirados em instrumentos existentes, para reduzir o tempo até o protótipo funcional; testes preliminares com músicos e designers. A Method and Toolkit for Digital Musical Instruments: Generating Ideas and Prototypes, com Calegário, Wanderley, Stéphane Huot (Inria Lille) e Ramalho, IEEE MultiMedia 24(1): 63–71, 2017 (doi.org/10.1109/MMUL.2017.18; hal-01467105). É o trabalho mais citado do currículo em todas as bases (37 no Semantic Scholar, 26 no OpenAlex, 21 no Crossref, em 24/09/2026), e a base do Probatio, que Calegário desenvolveu depois.

Instrumento montado com o Probatio
Instrumento montado com o Probatio

Duas patentes · 2017

Depositadas no INPI em 20/04/2017, com João Nogueira Tragtenberg, Filipe Calegário e Eduardo Santos Silva; titular Daccord Tecnologia: BR 10 2017 008307 1, plataforma de visualização e captura de eventos de performance musical — LEDs no instrumento indicam as notas e acordes a tocar, sensores captam a execução e alimentam o software que dá retorno —, e BR 10 2017 008296 2, protocolo para representação de performance musical entre o software e plataformas com dispositivos de entrada e saída. O produto correspondente é o VioLED (2018), violão com LEDs.

Vio.LED: violão com LEDs indicando notas e acordes
Vio.LED: violão com LEDs indicando notas e acordes

TumTá e Pisada · 2019

Uma palmilha que dispara amostras sonoras pelo pisar e uma pedaleira MIDI dançável, feitas entre 2012 e 2017 para Helder Vasconcelos, dançarino e músico formado nas tradições do Cavalo Marinho e do Maracatu Rural. Três fases de prototipação — blocos de construção, artesanal, fabricação digital. TumTá and Pisada: Two Foot-controlled Digital Dance and Music Instruments Inspired by Popular Brazilian Traditions, com Tragtenberg, Calegário e Ramalho, recebeu o prêmio de melhor artigo do 17º SBCM (São João del-Rei, 25 a 27/09/2019; doi.org/10.5753/sbcm.2019.10426; notícia do CIn). Versão estendida na Per Musi 40, 2021 (doi.org/10.35699/2317-6377.2020.26151).

TumTá em performance com Helder Vasconcelos, SBCM 2019
TumTá em performance com Helder Vasconcelos, SBCM 2019

Instrumentos digitais de dança e música · 2019

O conceito de DDMI — instrumentos em que a música é gerada intencionalmente pela dança — serve de ponte entre a comunidade de instrumentos digitais, que sabe pouco de expressividade do corpo, e a de sistemas interativos de dança, que sabe pouco de relação instrumental com a música. Deriva da dissertação de João Tragtenberg (2017), orientada por Cabral. Towards the Concept of Digital Dance and Music Instruments, NIME 2019, Porto Alegre (zenodo.3672877). No mesmo NIME, o AMIGO, instrumento assistivo para engajar, criar e aprender música, com Isabela Corintha e Gilberto Bernardes (zenodo.3672909).

Enativismo e improvisação · 2021–2022

Com Isabela Corintha, a cognição musical enativa e o modelo 4E (embodied, embedded, extended, enactive) aplicados à improvisação com instrumentos digitais na educação musical: Improvised Sound-Making within Musical Apprenticeship and Enactivism (NIME 2021; doi.org/10.21428/92fbeb44.56a01d33), o SBCM 2021 e a Revista Vórtex 10(1), 2022 (doi.org/10.33871/23179937.2022.10.1.7). É o trabalho recente mais citado.

O 18º SBCM · 2021

Cabral coordenou com Filipe Calegário o 18º Simpósio Brasileiro de Computação Musical, organizado pelo CIn e pelo CESAR, inteiramente virtual (portal do CIn, 21/10/2021). Dez trabalhos com sua coautoria estão nos anais, com orientandos e colegas: CatalogToMakers, Mandrit, visualizações musicais, AMIS, Deejai, Wizard of Oz para protótipos artísticos, personalidade e preferência musical.

A tese de Eduardo Santos Silva · 2022

VioLED: instrumento musical aumentado + software como serviço para adesão e engajamento do público no aprendizado musical, tese nº 554 do PPGCC/UFPE, defendida em 25/03/2022, com banca de Calegário, Jean-Pierre Briot, Schiavoni, Neves e Figueiredo. Orientador principal: Giordano Cabral. Portal do CIn.

03 · Instrumentos musicais digitais e o MusTIC

Orientações na linha

Mestrado: João Nogueira Tragtenberg (2017, orientador principal), Michael Lopes Bastos (2019, CatalogToMakers), Gabriel Finch (2011, LiVES, UFRPE); coorientações de Filipe Calegário (2013, Sketchument), Jerônimo Barbosa (2013, avaliação de experiência de uso), Eduardo Santos Silva (2015, integração de sensores), Luca Bezerra Dias (2015, frases percussivas), Dídimo Vieira de Araújo Junior (2011, musicologia assistida por computador) e Jaziel Vitalino Souza e Silva (2010, interfaces gestuais para percussão virtual).

04 · Instrumentos musicais digitais e o MusTIC

Serviço à comunidade da área

Comitê técnico do SBCM em 2007, 2009 e 2011; chair do comitê técnico e organizador dos anais do 14º SBCM (2013, ISBN 978-85-7669-286-7); organizador local do 12º SBCM (Recife, 2009) e coeditor dos anais (ISSN 2175-6759); comitê técnico do ICMC 2010; comitê gestor da Comissão Especial de Computação Musical da SBC de setembro de 2011 a agosto de 2014. Em 08/08/2017 a UFPE concedeu o título de Doutor Honoris Causa a François Pachet, coorientador da tese de doutorado de Cabral; a proposta nasceu no Centro de Informática (portal do CIn, 03/08/2017).

Segue em: mustic.cin.ufpe.br e na disciplina Computação Musical.